Na consulta, o pediatra comentou que um dos testículos não está na bolsa escrotal? Esse achado precisa de avaliação e acompanhamento, mas não exige que a família descubra a causa sozinha. Entender os termos ajuda a organizar as perguntas e os próximos passos.

O cuidado deve começar quando a alteração é identificada, com respeito à privacidade da criança. A proposta não é examinar em casa nem esperar indefinidamente por uma mudança: é seguir uma avaliação individual, sem culpa ou promessas de que tudo se resolverá da mesma forma.

O que é criptorquidismo?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) define criptorquidismo como a ausência de um ou dos dois testículos dentro da bolsa escrotal, a bolsa de pele que normalmente os contém.

O testículo pode não ter completado sua descida antes do nascimento. A SBP também descreve a possibilidade de um testículo que antes estava na bolsa passar a ficar em posição mais alta durante o crescimento, situação chamada de testículo ascendente.

Portanto, um exame anterior sem alteração não elimina a importância das consultas de acompanhamento. A posição dos testículos faz parte da avaliação física realizada pelo profissional.

É igual a testículo retrátil?

Não são termos equivalentes. A SBP explica que o testículo retrátil pode ficar temporariamente fora da bolsa pela ação de um reflexo muscular. A Academia Americana de Pediatria (AAP) complementa que essa situação muitas vezes não exige cirurgia.

Isso não permite classificar o caso apenas pelo que foi percebido em um banho ou troca de roupa. Diferenciar testículo retrátil, não descido e outras situações depende do exame médico.

Não tente puxar, massagear ou fazer manobras para colocar o testículo na bolsa. Também não é necessário enviar fotografias da região para decidir se deve procurar ajuda. Leve a dúvida ao pediatra e preserve a intimidade da criança.

Como é feita a avaliação?

Segundo a SBP, o diagnóstico é essencialmente clínico, ou seja, depende do exame físico feito pelo médico. A necessidade de exames complementares é definida a partir dessa avaliação.

A AAP destaca que a ultrassonografia geralmente não é necessária para confirmar um testículo não descido e que pode não esclarecer corretamente sua localização. Por isso, não é preciso providenciar um exame de imagem antes de procurar o profissional.

Conte o que já foi observado em consultas anteriores e leve registros disponíveis. Se a criança nasceu prematura ou tem outras condições de saúde, informe esses dados para que o acompanhamento considere sua história.

O objetivo não é apenas encontrar um nome para a alteração. A avaliação permite entender a posição do testículo e definir se é necessário acompanhamento com especialista.

Por que não adiar o acompanhamento?

As fontes descrevem que alguns testículos podem descer espontaneamente nos primeiros meses, mas essa possibilidade não justifica uma espera sem orientação. O pediatra deve acompanhar a evolução e definir o momento de encaminhar.

A SBP relaciona o tratamento precoce à prevenção de problemas na saúde dos testículos. A referência complementar da AAP também ressalta a importância de não prolongar a espera e de planejar o cuidado quando a descida não ocorre.

Não transforme uma idade lida na internet em motivo para adiar a primeira avaliação. A história de nascimento, os achados do exame e a evolução precisam ser considerados pelo profissional. Se a alteração foi identificada em uma criança maior, procure orientação em vez de presumir que o tempo para cuidar já passou.

Também não é adequado concluir que haverá um problema futuro de fertilidade ou outra complicação em uma criança específica. Esses riscos fazem parte da conversa médica, mas não são uma previsão individual.

Como o tratamento é decidido?

A conduta depende da avaliação especializada. A AAP descreve a cirurgia para reposicionar o testículo na bolsa, chamada orquidopexia, como o tratamento indicado em situações de testículo não descido. O planejamento deve considerar o caso e as condições da criança.

A página da SBP de 2023 menciona possibilidade de tratamento hormonal em algumas causas. Já a orientação complementar da AAP, atualizada em 2025, informa que injeções hormonais não são mais recomendadas para corrigir o testículo não descido. Essa diferença reforça a importância de discutir a conduta atual com o especialista, sem iniciar medicamentos por conta própria.

Peça que a equipe explique o motivo do tratamento proposto, o acompanhamento e as dúvidas sobre eventual cirurgia. Não copie a conduta recebida por outro paciente, pois situações com nomes parecidos podem ter avaliações diferentes.

Quando procurar atendimento de urgência?

Se uma criança com testículo não descido apresentar dor na virilha ou na região da bolsa escrotal, procure atendimento imediatamente. A AAP alerta que pode ocorrer torção testicular, situação em que a circulação de sangue do testículo fica comprometida e precisa de avaliação rápida.

Não espere uma consulta de retorno ou um exame marcado para buscar ajuda diante dessa dor. O fato de o acompanhamento já estar organizado não substitui o atendimento de um sintoma novo.

Para as dúvidas sem dor ou outra mudança aguda, converse com o pediatra e confirme os próximos passos. Uma forma de organizar a consulta é perguntar qual foi o achado, se precisa de especialista e quando será a reavaliação.

Este artigo oferece informação geral e não substitui avaliação médica. O cuidado deve ser individual, com respeito à privacidade e à segurança da criança.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Endocrinologia. Criptorquidismo. Pediatria para Famílias. Publicado/atualizado: março de 2023, conforme o corpo do documento. Disponível em: sbp.com.br — Criptorquidismo. Acesso em: 5 de novembro de 2026.
  2. Thaker, Hatim. American Academy of Pediatrics, Section on Urology. Undescended Testicles: What Parents Need to Know. HealthyChildren.org. Atualizado em 30 de junho de 2025. Disponível em: HealthyChildren.org — Undescended Testicles. Acesso em: 5 de novembro de 2026. Referência complementar internacional.