Crianças pequenas exploram o mundo com as mãos, a boca e, às vezes, colocando objetos no nariz ou no ouvido. Ao perceber isso, é natural sentir urgência de resolver rápido. Mas tentar retirar em casa com pinça, haste flexível, grampo ou outros objetos pode empurrar o material mais para dentro e causar lesão.
O cuidado inicial mais seguro costuma ser manter a criança calma, impedir novas tentativas de manipulação e procurar avaliação quando necessário. Baterias, ímãs, objetos pontiagudos, sintomas respiratórios ou alteração de consciência exigem atenção imediata.
Como suspeitar de um objeto no nariz ou ouvido?
Às vezes, um adulto vê a criança colocando uma conta, pedaço de brinquedo ou alimento no nariz ou no ouvido. Em outras situações, o fato passa despercebido. Um objeto no ouvido pode causar dor, sensação de ouvido tampado, redução da audição, secreção, sangramento ou tontura. O Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh orienta que dor, secreção e sangramento podem ser sinais de corpo estranho e merecem avaliação.
No nariz, uma secreção persistente de apenas um lado, especialmente se tiver mau cheiro ou sangue, pode sugerir que algo ficou retido. O Manual de acompanhamento da criança da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo destaca secreção nasal unilateral com odor desagradável como achado importante.
Nem todo incômodo no nariz ou ouvido é causado por objeto. Cerume, infecção, rinite e pequenas lesões também podem provocar sintomas. Por isso, não é indicado introduzir nada para “procurar” o objeto: a confirmação depende de avaliação adequada.
O que fazer logo depois de perceber?
Primeiro, acalme a criança e peça que não coloque o dedo, papel, algodão ou outro objeto na região. Se o item estiver claramente visível na entrada e sair sozinho sem qualquer esforço, apenas guarde-o para informar ao profissional. Não tente alcançar algo que está dentro do nariz ou do canal do ouvido.
Evite pinças, hastes flexíveis, grampos, cotonetes, jatos de água e qualquer instrumento improvisado. Segundo o HC-UFG/Ebserh, tentativas prévias de manipulação aumentam o risco de complicações; a recomendação é não lavar, puxar ou tentar remover em casa.
Não pingue óleo, álcool, soro, água oxigenada ou soluções caseiras no ouvido ou no nariz sem orientação. Substâncias podem dificultar a avaliação, irritar a pele e mudar a posição do objeto. Também não cubra o ouvido com curativos apertados.
Se houver uma peça, embalagem ou brinquedo semelhante ao que a criança pode ter colocado, leve-o ao atendimento. Saber o tamanho, o material e se havia bateria ou ímã ajuda a equipe a avaliar urgência e planejar a retirada com segurança.
Quando buscar atendimento urgente?
Procure atendimento imediatamente se houver bateria, ímã, objeto pontiagudo, material que pode inchar, dor intensa, sangramento importante, secreção com febre, piora rápida, alteração de audição importante, tontura intensa ou trauma. Esses materiais e sinais podem causar lesão e não devem aguardar tentativa caseira.
Também é urgência se a criança tosse de forma persistente, apresenta chiado, dificuldade para respirar, fica arroxeada, não consegue falar ou parece ter aspirado o objeto. Isso sugere que o problema pode estar na via aérea, e não apenas no nariz ou ouvido. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta acionar serviço de emergência diante de engasgo com dificuldade respiratória.
Em caso de desmaio, convulsão, dificuldade respiratória ou suspeita de intoxicação associada, acione o SAMU pelo número 192. O serviço atende situações de urgência, inclusive problemas cardiorrespiratórios, convulsões e intoxicações.
Se a criança está bem, mas existe suspeita de objeto no nariz ou ouvido, procure pediatra, pronto atendimento ou serviço indicado na sua cidade. Não é necessário esperar dor ou secreção para buscar orientação, sobretudo se não se sabe qual foi o objeto.
Por que não tentar tirar em casa?
O canal do ouvido e a cavidade nasal têm espaços estreitos e estruturas delicadas. Uma tentativa de retirada pode deslocar o objeto para uma posição mais profunda, machucar a pele, provocar sangramento ou, no ouvido, atingir o tímpano. A criança assustada também pode se mexer de repente, aumentando esse risco.
Objetos soltos no fundo do nariz podem ser deslocados e aspirados durante uma manipulação inadequada. O manual da Secretaria de Saúde de São Paulo alerta para o risco de aspiração ao tentar remover objetos nasais sem material e técnica adequados.
Profissionais escolhem a abordagem após observar local, tamanho, formato e material. Em alguns casos, a retirada é simples no consultório; em outros, pode ser necessário especialista, analgesia ou outro ambiente de cuidado. Isso não significa que o caso é grave, mas que segurança vem antes da rapidez.
Como prevenir novos episódios?
Separe brinquedos e materiais de acordo com a idade e supervisione brincadeiras com itens pequenos. Pilhas, baterias tipo botão, ímãs, miçangas, moedas, tampas, parafusos e peças soltas devem ficar fora do alcance de crianças pequenas. Verifique brinquedos quebrados e compartimentos de bateria que não fecham bem.
Ensine de forma simples: objetos pertencem às mãos e aos brinquedos, não ao nariz, ouvido ou boca. Repetir essa orientação sem assustar ajuda mais do que repreender após um acidente. Para irmãos maiores, explique por que não devem oferecer peças pequenas aos menores.
Evite usar hastes flexíveis dentro do ouvido para higiene. Elas podem empurrar cerume e causar trauma, além de confundir uma possível avaliação. Para limpeza externa, siga a orientação do pediatra e não introduza objetos no canal auditivo.
Em passeios, festas e casas de familiares, observe itens pequenos deixados ao alcance. Prevenção também inclui combinar com cuidadores e escola que qualquer suspeita seja comunicada cedo, sem punição à criança.
Como será a avaliação no serviço de saúde?
O profissional pergunta o que ocorreu, quando, qual objeto pode estar envolvido e se houve tentativas de retirada. Depois, examina nariz, ouvido, garganta e respiração conforme os sintomas. Levar um objeto igual ou a embalagem pode ser útil, mas não atrase o atendimento para procurar isso.
O tipo de cuidado varia. Alguns objetos exigem retirada no mesmo dia; outros precisam de avaliação especializada. Se houver sinais de aspiração, lesão, infecção ou material perigoso, a equipe define o encaminhamento adequado. Não use medicamentos ou antibióticos por conta própria.
Depois do episódio, vale revisar segurança dos brinquedos e do ambiente sem transformar o acidente em motivo de vergonha. Crianças exploram; adultos organizam proteção e buscam ajuda cedo quando algo foge do esperado. Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica individual.
Referências bibliográficas
- Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh. Corpos estranhos no canal auditivo: o que fazer, sintomas e cuidados (2022). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-25.
- Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Manual de acompanhamento da criança: linha de cuidado (2017). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-25.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Aspiração de corpo estranho (Atualizado em 2023). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-25.
- Ministério da Saúde. SAMU 192 (Atualizado em 2026). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-25.