A doença celíaca é uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de glúten (presente no trigo, cevada e centeio) em pessoas geneticamente predispostas. O glúten provoca uma reação inflamatória que danifica a mucosa do intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes.
\n\nOs sintomas nem sempre são digestivos
\nA forma clássica inclui diarreia crônica, distensão abdominal, perda de peso ou dificuldade de ganho de peso. Mas uma parcela significativa das crianças apresenta sinais menos óbvios, chamados de forma atípica:
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- Anemia por deficiência de ferro que não responde à reposição isolada \n
- Baixa estatura sem outra causa aparente \n
- Atraso da puberdade \n
- Defeitos no esmalte dentário \n
- Irritabilidade, cansaço ou apatia \n
- Dor abdominal recorrente sem diarreia evidente \n
Por isso, a doença celíaca costuma demorar para ser diagnosticada — os sintomas nem sempre "batem" com a expectativa de diarreia intensa.
\n\nComo é feito o diagnóstico
\nO primeiro passo é um exame de sangue: anticorpo antitransglutaminase IgA, junto com a dosagem de IgA total (para descartar deficiência seletiva de IgA, que pode gerar resultado falso-negativo). Se a sorologia for positiva, a confirmação segue com biópsia do duodeno, que mostra o padrão característico de lesão da mucosa intestinal.
\nPonto essencial: os exames só são confiáveis se a criança estiver consumindo glúten normalmente. Retirar o glúten da dieta antes de investigar invalida os resultados e pode atrasar o diagnóstico correto — a suspeita deve sempre ser investigada com exames antes de qualquer restrição alimentar.
\n\nCelíaca não é alergia ao trigo nem sensibilidade ao glúten
\nSão três condições diferentes: a doença celíaca é autoimune e causa lesão intestinal mensurável; a alergia ao trigo é uma reação do sistema imunológico mediada por outros mecanismos, com sintomas que podem incluir urticária ou anafilaxia; e a sensibilidade ao glúten não celíaca causa desconforto digestivo sem lesão intestinal nem os anticorpos característicos. O diagnóstico diferencial é feito pelo pediatra com os exames apropriados para cada suspeita.
\n\nTratamento: dieta sem glúten para a vida toda
\nO único tratamento eficaz é a exclusão completa e permanente do glúten da alimentação — não existe medicação que substitua a dieta. Isso inclui atenção à contaminação cruzada em casa e em rótulos de alimentos industrializados, já que traços de glúten já são suficientes para manter a inflamação intestinal ativa.
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Fontes consultadas:
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- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Departamento Científico de Gastroenterologia: diretrizes sobre doença celíaca na infância. \n
- ESPGHAN (European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition) — critérios diagnósticos para doença celíaca pediátrica. \n