A adenoide — ou tonsila faríngea — é um tecido linfático localizado no fundo da garganta, atrás do nariz. Faz parte do sistema imunológico e é especialmente ativa na primeira infância. O problema é que ela pode crescer além do necessário e começar a obstruir as vias aéreas, causando sintomas que afetam o sono, o desenvolvimento e até a postura da criança.

Para que serve a adenoide?

A adenoide ajuda o organismo a reconhecer e combater agentes infecciosos. Ela é maior na infância e tende a diminuir naturalmente após os 7–8 anos. O crescimento excessivo (hipertrofia) pode ser desencadeado por infecções repetidas, alergia respiratória e exposição frequente a vírus — comum no início da vida escolar.

Sinais de adenoide aumentada

A obstrução nasal causada pela hipertrofia adenoidiana se manifesta de formas que muitos pais confundem com "resfriado crônico":

  • Respiração pela boca — especialmente ao dormir
  • Ronco e sono agitado, com pausas respiratórias
  • Voz anasalada (como se estivesse sempre gripado)
  • Coriza persistente e obstrução nasal crônica
  • Otites de repetição — a adenoide aumentada bloqueia a tuba auditiva
  • Cansaço, sonolência diurna e dificuldade de atenção — consequência do sono fragmentado

O que a respiração bucal crônica provoca?

Crianças que respiram pela boca de forma prolongada podem desenvolver alterações progressivas na estrutura do rosto: palato ogival (arqueado), maxila estreita, dentes com posicionamento alterado e postura com queixo projetado — o que a literatura chama de "fácies adenoidiana". A intervenção antes que essas alterações se consolidem é mais eficaz.

Como o diagnóstico é feito?

O pediatra avalia os sintomas e pode solicitar uma radiografia de cavum (perfil das vias aéreas superiores) para estimar o grau de obstrução. O otorrinolaringologista pode realizar uma nasofibroscopia — exame de imagem direta que permite ver a adenoide em tempo real.

Quando operar?

A adenoidectomia é indicada quando:

  • Há obstrução significativa com ronco e sinais de apneia do sono
  • Otites de repetição não respondem ao tratamento clínico
  • A criança tem infecções respiratórias superiores muito frequentes
  • O tratamento clínico (lavagem nasal, corticoide nasal) não foi suficiente

A cirurgia é segura, feita sob anestesia geral geralmente a partir dos 2–3 anos, com recuperação rápida. Em muitos casos, as amígdalas são retiradas junto (adenoamigdalectomia).

Tem como tratar sem cirurgia?

Casos leves a moderados podem responder bem a:

  • Lavagem nasal com solução salina isotônica ou hipertônica
  • Corticoide nasal de uso contínuo, por tempo determinado pelo médico
  • Controle da alergia respiratória associada

Nem toda adenoide aumentada precisa de cirurgia. A decisão depende da intensidade dos sintomas, da idade da criança e da resposta ao tratamento.


Fontes consultadas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Departamento Científico de Otorrinolaringologia Pediátrica: Hipertrofia de Adenoides e Amígdalas (2022).
  • SBPNota de Alerta: Respiração Oral na Infância.
  • AAPClinical Practice Guideline: Tonsillectomy in Children (2019, reafirmado 2023).