Os primeiros passos costumam trazer entusiasmo e também muitas dúvidas. O andador infantil com rodinhas é frequentemente apresentado como apoio para essa fase, mas pediatras desaconselham seu uso: ele não é necessário para a criança aprender a caminhar e pode levá-la rapidamente a situações para as quais ainda não tem capacidade de se proteger.

Não é preciso apressar a marcha. Um espaço organizado no chão, tempo para brincar e a presença atenta de um adulto oferecem oportunidades mais seguras para o bebê experimentar sentar, engatinhar, apoiar-se e, no seu próprio ritmo, dar passos.

Por que o andador não é uma ajuda para aprender a andar

Aprender a se locomover envolve muito mais que ficar em pé. O bebê experimenta mudanças de posição, fortalece o corpo, ajusta o equilíbrio e descobre como alcançar objetos. O andador restringe parte dessas experiências e coloca a criança em uma altura e velocidade que ela ainda não consegue administrar.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que os andadores sejam evitados. Além de não oferecerem benefício necessário para a aquisição da marcha, podem expor o bebê a escadas, piscinas, superfícies quentes e produtos de limpeza antes que ele compreenda riscos ou consiga se afastar deles.

O desenvolvimento não acontece como uma corrida. Algumas crianças engatinham por bastante tempo, outras usam mais apoio nos móveis e outras dão passos mais cedo. Comparações com irmãos, familiares ou vídeos da internet costumam aumentar a ansiedade, mas não substituem o acompanhamento regular nas consultas de puericultura.

Quais acidentes podem acontecer

Com rodas, o andador permite que o bebê alcance espaços e objetos em poucos instantes. Quedas, especialmente em desníveis e escadas, são uma preocupação importante. A orientação da SBP sobre prevenção de quedas é direta: não usar andador; a entidade alerta para a gravidade das lesões associadas a quedas em escadas.

O risco não fica limitado à queda. O bebê pode chegar a líquidos quentes, fogão, forno, baldes, piscina, fios, objetos cortantes ou produtos químicos. Mesmo quando há um adulto por perto, a velocidade do equipamento pode não dar tempo para interromper uma situação perigosa.

Reduzir riscos com travas ou supervisão não torna o andador indispensável. A orientação da SBP para famílias destaca que o bebê passa a alcançar objetos perigosos e pode tombar sem conseguir se proteger adequadamente. Para a família, a decisão mais simples e segura é não introduzir o equipamento.

Como apoiar o desenvolvimento com segurança

O chão pode ser um grande espaço de descoberta quando é preparado. Escolha uma superfície firme, limpa e livre de objetos pequenos, fios e itens que possam quebrar. Deixe brinquedos adequados ao alcance e fique próximo, observando a exploração sem dirigir cada movimento.

  • Reserve momentos diários de brincadeira no chão, de acordo com o conforto e a disposição do bebê.
  • Permita mudanças de posição e deslocamentos espontâneos, sem forçar o bebê a ficar em pé ou caminhar.
  • Quando ele já busca apoio, mantenha móveis estáveis e retire peças que possam tombar ou ter quinas perigosas.
  • Use portões em escadas e bloqueie o acesso a cozinha, lavanderia, banheiro e áreas com água.
  • Converse com todas as pessoas que cuidam da criança para que a proteção seja a mesma em cada ambiente.

Cercadinhos fixos e cadeiras de alimentação têm finalidades diferentes do andador e também exigem atenção às instruções do fabricante, ao uso de travas e à supervisão. Nenhum equipamento substitui um ambiente seguro e um adulto por perto.

Se já existe um andador em casa

É comum que o objeto tenha sido presente ou que alguém da família o considere útil. A conversa pode começar sem culpa: recomendações mudam à medida que a segurança infantil é mais bem estudada. Explique que a escolha de não usar o andador é uma medida de prevenção, não uma crítica a quem já o utilizou.

A medida mais protetora é deixar de usar e de emprestar o equipamento. Se houver mais de uma casa em que o bebê passa tempo, combine a mesma regra com avós, parentes, creche ou outros cuidadores. Oferecer um tapete firme, brinquedos simples e companhia costuma ser uma alternativa mais proveitosa e afetiva.

Quando procurar atendimento

Procure atendimento imediatamente após qualquer queda ou acidente com o andador se a criança perdeu a consciência, parece muito sonolenta ou confusa, vomita repetidamente, apresenta convulsão, dificuldade para respirar, sangramento que não para, dor intensa, fraqueza, alteração para movimentar alguma parte do corpo ou comportamento muito diferente do habitual.

Mesmo sem acidente, leve a dúvida à consulta de rotina se você percebe que o bebê parece desconfortável ao movimentar-se, deixa de fazer habilidades que já fazia, usa muito mais um lado do corpo ou se há preocupação persistente com o desenvolvimento. A avaliação considera a história e a observação da criança; ela não pode ser substituída por comparações ou por orientações gerais na internet.

Uma mensagem para guardar

O bebê não precisa de um andador para chegar aos primeiros passos. Com tempo, espaço no chão, brincadeira e proteção adequada, a exploração pode acontecer de forma mais segura. Este artigo oferece orientação geral e não substitui avaliação individual com pediatra ou serviço de saúde.

Referências bibliográficas

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Andador infantil: um perigo desnecessário (23/03/2018). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-30.
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Quedas (07/11/2014). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-30.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Por que não usar andador? (31/07/2015). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-30.