A criança voltou da piscina com dor no ouvido ou começou a reclamar depois de alguns dias de praia? Uma possibilidade é a otite externa, também conhecida como “otite do nadador”. Mas o contexto, sozinho, não confirma a causa: o ouvido precisa ser examinado.

O cuidado começa por evitar tentativas de limpeza e gotas escolhidas por conta própria. Entender a diferença entre os tipos de otite ajuda a procurar avaliação e a proteger o canal do ouvido, sem transformar a brincadeira na água em motivo de culpa.

O que é otite externa?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) explica que a otite externa é uma inflamação da pele da parte externa do ouvido, especialmente do canal que fica antes do tímpano.

Ela é diferente da otite média, que envolve a região atrás dessa membrana. Embora ambas possam causar dor, o local da inflamação e a conduta não são necessariamente os mesmos.

Por isso, uma receita usada em outro episódio ou por outra criança não deve ser tomada como referência para o tratamento atual. Saber que houve uma otite antes não dispensa um novo exame diante de uma nova queixa.

Quais sinais podem aparecer?

Segundo a SBP, a dor local é o principal sintoma e pode ser intensa, com piora ao tocar a entrada do ouvido. Coceira pode ocorrer no início; também pode haver inchaço do canal e secreção.

Essas informações ajudam a compreender o relato, mas não são um roteiro para apertar ou manipular o ouvido da criança. Não é necessário provocar dor para decidir procurar avaliação.

A fonte informa que a febre não costuma acompanhar a otite externa. Isso não significa que a ausência de febre torne a dor irrelevante ou que a presença dela permita identificar outra causa em casa.

Da mesma forma, secreção não define sozinha qual parte do ouvido está comprometida. A diferenciação depende da avaliação profissional.

Qual é a relação com a água?

A SBP descreve a ocorrência após períodos de natação, praia, piscina ou parques aquáticos. A água pode favorecer a infecção quando há pequenas lesões na pele do canal, permitindo a entrada de microrganismos.

A fonte também explica que essas lesões podem estar relacionadas à manipulação local com cotonetes, palitos, grampos e outros objetos. Portanto, a prevenção não se resume a discutir a qualidade da água ou a responsabilizar a criança por ter brincado.

O nome “otite do nadador” não significa que todo contato com água provoque o problema nem que todas as crianças precisem abandonar as atividades aquáticas. O histórico e as orientações individuais devem ser considerados.

O que evitar em casa?

A principal recomendação preventiva da SBP é não introduzir objetos no canal do ouvido, inclusive cotonetes. A tentativa de retirar cera ou coçar por dentro pode machucar a pele.

  • Não introduza cotonetes, palitos, grampos ou outros objetos.
  • Não tente retirar secreção do interior do canal.
  • Não escolha gotas com base na receita de outro episódio.
  • Não faça misturas caseiras para pingar no ouvido.

Esses cuidados não substituem o exame quando há dor. A avaliação permite saber o que está acontecendo e orientar a conduta apropriada, sem acrescentar uma lesão causada pela tentativa de resolver o problema em casa.

Se alguma pessoa sugerir “limpar bem antes de procurar ajuda”, não transforme isso em uma manobra doméstica. A limpeza mencionada no tratamento da otite externa é parte de um cuidado profissional, quando indicado.

Como o tratamento é definido?

A SBP ressalta a importância da otoscopia, o exame com aparelho que permite observar o ouvido. Esse cuidado ajuda a diferenciar a inflamação do canal de outras causas de dor.

Após o diagnóstico, o profissional pode indicar limpeza delicada da região e medicamentos aplicados no ouvido. A escolha depende da avaliação. A fonte descreve o tratamento tópico como habitual e o uso de antibióticos por via oral como uma exceção, não uma regra para todo caso.

Isso não significa que a família deva escolher entre uma gota e um comprimido por conta própria. Nem toda dor precisa do mesmo medicamento, e o fato de o tratamento ser local não o torna adequado sem diagnóstico.

Peça que a equipe explique como usar o que foi prescrito, como acompanhar a evolução e quais cuidados serão necessários com a água durante o tratamento. Não altere ou prolongue a prescrição usando orientações de outro paciente.

Quando procurar avaliação?

Procure atendimento diante de dor de ouvido, secreção ou incômodo que persiste, especialmente após atividades aquáticas. Dor intensa ou em piora merece avaliação pronta; não espere surgir febre para pedir ajuda.

Se houver febre ou piora importante do estado geral, informe isso ao serviço de saúde e busque atendimento sem adiar. Esses achados precisam ser considerados no exame, em vez de presumidos como parte de uma otite externa simples.

Nos episódios repetidos, a SBP recomenda avaliação especializada. Em situações selecionadas, o profissional pode orientar o uso de tampões específicos. Não é uma indicação automática para toda criança nem uma garantia de que não haverá novos episódios.

Leve à consulta o que foi percebido, quando começou, o contato recente com água e quaisquer produtos já utilizados. Não é necessário chegar com uma explicação pronta para a dor.

Este artigo oferece informação geral e não substitui avaliação médica. O objetivo é buscar o diagnóstico correto, aliviar o desconforto com orientação e evitar lesões causadas pela manipulação do canal.

Referências

  1. Magalhães, Édio J. Cavallaro. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Otorrinolaringologia. Otite externa ou otite do nadador. Pediatria para Famílias. Publicado/atualizado: dezembro de 2023, conforme o corpo do documento. Disponível em: sbp.com.br — Otite externa ou otite do nadador. Acesso em: 5 de novembro de 2026.