O “teste da orelhinha” costuma acontecer enquanto o bebê dorme, ainda na maternidade. É uma triagem: ajuda a identificar quem precisa de avaliação auditiva mais detalhada. Um resultado alterado pode assustar, mas, sozinho, não confirma perda de audição.
Entender o que foi examinado e sair com o próximo passo combinado evita que o reteste se perca na rotina. O Guia do Ministério da Saúde de 2025 orienta que a triagem inclua teste, reteste quando necessário e acompanhamento do desenvolvimento auditivo e da linguagem.
O que é o teste da orelhinha?
A triagem auditiva neonatal usa exames objetivos para observar respostas do sistema auditivo do bebê. Um dos métodos avalia as emissões otoacústicas, respostas captadas por uma pequena sonda colocada na entrada da orelha. Em algumas situações, a equipe também utiliza o potencial evocado auditivo automático (PEATE-A), que avalia respostas das vias auditivas. O protocolo depende da história clínica e dos indicadores de risco da criança, conforme o Ministério da Saúde.
O exame é rápido, não invasivo e indolor. Não exige que a família perceba um problema: bebês que parecem ouvir normalmente também devem passar pela triagem. A Sociedade Brasileira de Pediatria lembra que a audição participa do desenvolvimento da fala e da linguagem.
Quando e onde fazer?
O guia nacional de 2025 recomenda fazer a primeira etapa preferencialmente nos primeiros dias de vida, ainda na maternidade. Se isso não acontecer, a família deve receber orientação para realizá-la dentro do primeiro mês de vida. Bebês com internação prolongada podem precisar de um prazo ajustado pela equipe que os acompanha.
Antes da alta, peça o resultado por escrito e confira se foi registrado na Caderneta da Criança. Caso a maternidade não ofereça o exame, solicite o encaminhamento para o serviço de referência da sua região. O Ministério da Saúde informa que o teste é obrigatório e gratuito nos hospitais e maternidades brasileiros.
O que significa “passa” ou resultado satisfatório?
Significa que as respostas obtidas foram satisfatórias naquele exame. É uma boa notícia, mas não encerra os cuidados com a audição. A equipe ainda considera antecedentes e indicadores de risco, como certas condições no período neonatal. Algumas crianças precisam de monitoramento especializado mesmo após um resultado satisfatório, segundo o guia do Ministério da Saúde.
Nas consultas de puericultura, conte ao pediatra como o bebê reage aos sons e como evoluem sua comunicação e linguagem. Guarde o resultado da triagem para que a equipe possa relacioná-lo ao desenvolvimento observado ao longo do tempo.
E se aparecer “falha”?
“Falha” quer dizer que a triagem não obteve resposta satisfatória em uma ou nas duas orelhas. Isso não é um diagnóstico de surdez. O próximo passo é realizar o reteste indicado pelo serviço, sem esperar para ver se o bebê “passa a ouvir melhor”. O guia de 2025 orienta que, quando necessário, o reteste ocorra até o 15º dia de vida, salvo condições clínicas que exijam adaptação do fluxo.
Peça a data, o local e o tipo de exame antes de sair da maternidade. O reteste avalia as duas orelhas, mesmo que a resposta inicial tenha sido insatisfatória em apenas uma. Se a falha persistir, a criança precisa de avaliação diagnóstica audiológica em serviço especializado; esse encaminhamento deve ser organizado sem atraso. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde explica que muitos bebês encaminhados terão audição normal após a avaliação completa, enquanto outros precisarão de intervenção precoce.
Por que acompanhar mesmo depois do exame?
A triagem é uma etapa de um cuidado contínuo. Audição e linguagem são observadas nas consultas, e o plano pode incluir fonoaudiólogo, otorrinolaringologista ou serviço especializado conforme o resultado e a história do bebê. O Ministério da Saúde recomenda orientar a família sobre esse seguimento e registrar os resultados na Caderneta da Criança.
Se houver perda auditiva confirmada, a equipe explica as opções de cuidado de acordo com a avaliação individual. O importante é não perder o retorno: identificar uma alteração cedo permite organizar o apoio adequado ao desenvolvimento da criança.
Quando procurar avaliação?
Procure o pediatra ou a equipe de saúde sem esperar a próxima consulta se o bebê não realizou a triagem, se houve falha sem reteste marcado, se o reteste também falhou ou se a família percebe respostas aos sons ou evolução da comunicação diferentes do esperado. Mesmo com um teste inicial satisfatório, a suspeita da família merece avaliação. Essa conduta está prevista no guia nacional.
Leve a Caderneta da Criança e os resultados anteriores. A avaliação profissional considera o conjunto da história, dos exames e do desenvolvimento; nenhum teste isolado substitui essa análise.
Referências bibliográficas
- Brasil. Ministério da Saúde. Guia para realização da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) e seguimento assistencial. Brasília, 2025. Acessar guia. Acesso em 8 nov. 2026.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Otorrinolaringologia. Teste da orelhinha. 2018. Acessar orientação. Acesso em 8 nov. 2026.
- Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Teste da orelhinha. 2011. Acessar texto. Acesso em 8 nov. 2026.