Quem pode mandar mensagens? O que acontece quando uma imagem é publicada? Como pedir ajuda depois de uma conversa desconfortável? Essas perguntas fazem parte do cuidado com crianças e adolescentes na internet. A orientação precisa ir além de combinar quando o aparelho será desligado.

O Grupo de Trabalho em Saúde na Era Digital da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destaca a mediação dos responsáveis, as regras de segurança e privacidade e a atenção ao conteúdo acessado. O objetivo é construir proteção e um caminho para pedir ajuda, sem colocar toda a responsabilidade na criança.

Neste artigo

O que significa acompanhar o uso?

A SBP recomenda que responsáveis conheçam o que a criança acessa e participem da orientação sobre conteúdos, segurança e privacidade. Isso não se resume a entregar um aparelho e esperar que ela descubra sozinha como lidar com tudo o que aparece.

Comece conhecendo os aplicativos e as atividades utilizados. Pergunte o que a criança gosta de fazer, com quem interage e em que situações surgem dúvidas. Uma conversa sobre uma experiência concreta pode ser mais clara do que uma advertência vaga sobre “perigos da internet”.

O acompanhamento deve considerar compreensão e maturidade. Não é uma garantia de que nunca haverá problema, nem uma tarefa que pode ser transferida inteiramente para um filtro. O adulto organiza as condições de uso e continua disponível para orientar.

Quais configurações conhecer?

A SBP destaca a importância de configurar senhas, conhecer mecanismos de bloqueio e utilizar ferramentas de controle parental. Essas funções precisam ser compreendidas pelos responsáveis, e não apenas ativadas sem saber como funcionam.

  • Conheça as opções de privacidade disponíveis no serviço utilizado.
  • Confira como bloquear e denunciar mensagens inadequadas.
  • Entenda as ferramentas de acompanhamento e os limites do que elas fazem.
  • Converse com a criança sobre as regras e sobre quem procurar diante de uma dúvida.

As opções mudam entre aplicativos. Se uma configuração não estiver clara, procure a orientação do próprio serviço e evite presumir que um botão torna todo o ambiente seguro. A proposta é manter uma proteção acompanhada, com regras compreensíveis.

Este artigo não estabelece idade mínima de plataforma nem interpreta regras legais. O foco é a orientação familiar de segurança e bem-estar.

Como cuidar de fotos e imagens?

A orientação da SBP recomenda não publicar fotos, imagens ou vídeos de crianças e adolescentes em redes digitais públicas. Esse cuidado também diz respeito às decisões dos adultos: privacidade não é apenas uma regra para aquilo que a criança faz.

Antes de compartilhar uma situação da vida familiar, pense na proteção daquela criança e em sua exposição. Um momento que parece engraçado para um adulto pode ser íntimo ou constrangedor para quem aparece nele.

Inclua esse assunto nas conversas sem fazer ameaças. Uma frase possível é: “Vamos conversar sobre o que é privado e por que não precisamos colocar tudo na internet”. A criança aprende também observando as escolhas dos responsáveis.

O que fazer com mensagens desconfortáveis?

A SBP orienta saber bloquear e denunciar mensagens inadequadas, discriminatórias ou ofensivas. Mostre que existe um caminho para interromper a situação e pedir ajuda, em vez de exigir que a criança resolva o problema sozinha.

Combine uma pessoa de confiança a quem ela possa recorrer. Se algo acontecer, procure primeiro entender o relato e oferecer proteção. O momento não precisa começar com uma discussão sobre por que ela respondeu ou por que não avisou antes.

Conhecer os mecanismos de denúncia ajuda, mas não substitui apoio. Se a situação exige outras medidas de proteção, procure os serviços responsáveis. Este texto não oferece uma investigação individual nem permite avaliar a gravidade de uma interação pela internet.

A SBP valoriza afeto, atenção e a possibilidade de conversar sobre emoções com alguém de confiança. Isso pode fazer parte da rotina, sem esperar um episódio grave para falar sobre o ambiente digital.

Pergunte o que foi interessante ou estranho em um jogo ou aplicativo. Escute antes de responder. Se você não conhece uma ferramenta, pode dizer: “Não sei como isso funciona; vamos entender juntos”. O adulto não precisa fingir que domina todas as tecnologias para participar do cuidado.

As regras podem ser claras e, ao mesmo tempo, permitir perguntas. Explique o motivo de um limite e mantenha a responsabilidade adulta por ele. Evite transformar cada dificuldade em vergonha ou em uma comparação com outras crianças.

Como proteger a rotina fora das telas?

A orientação da SBP inclui atividades esportivas, culturais e familiares fora do ambiente digital. Também recomenda desconectar em momentos como as refeições e organizar o uso de modo a preservar o sono.

Observe o conjunto do dia: há espaço para descanso, convivência e outras atividades? A família pode escolher oportunidades viáveis, sem depender de programas caros ou de um cenário perfeito. Os próprios responsáveis também participam dessas escolhas.

Para recomendações gerais sobre duração de uso, consulte o artigo sobre tempo de tela na infância. Aqui, o foco é privacidade, mediação e comunicação, sem oferecer uma meta única para todas as idades.

Quais sinais merecem avaliação?

A SBP lista mudanças no sono, cansaço durante o dia, irritabilidade, isolamento, afastamento das atividades da família e queda no rendimento escolar entre sinais que merecem avaliação pediátrica. Esses sinais não confirmam, sozinhos, que a causa seja a internet.

Se há mudanças persistentes ou prejuízo à rotina, procure o pediatra e descreva o que observou. Conte como estão o uso dos aplicativos, o descanso, a convivência e o que a criança relata. A avaliação considera o contexto e pode orientar outros cuidados quando necessários.

Não é preciso esperar que todos os sinais apareçam para trazer uma preocupação à consulta. Também não é seguro concluir um diagnóstico a partir de uma lista ou atribuir automaticamente qualquer dificuldade ao aparelho.

O cuidado digital combina configurações, limites e presença. A criança precisa de proteção e de adultos disponíveis para conversar, inclusive quando alguma coisa não saiu como esperado. Este conteúdo oferece orientação geral e não substitui avaliação de saúde ou apoio individual diante de uma situação de risco.

Fonte consultada

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Grupo de Trabalho em Saúde na Era Digital. 10 Questões para o uso saudável da internet para crianças, adolescentes e famílias. Pediatria para Famílias. Publicação/atualização indicada: dezembro de 2024. Utilizadas orientações sobre mediação, privacidade, bloqueio e denúncia, convivência e sinais para avaliação pediátrica; não reproduzidos limites etários de plataformas ou afirmações legais. Acesso em 18 de outubro de 2026.