A bronquiolite é a infecção respiratória mais comum em bebês e crianças pequenas, e a principal causa de hospitalização por doença respiratória em menores de 2 anos. Na maioria dos casos, é uma doença autolimitada que resolve em casa. Mas em uma parcela dos pacientes — especialmente os mais jovens e os com fatores de risco — pode se tornar grave. Reconhecer os sinais certos é fundamental.

O que é bronquiolite?

A bronquiolite é uma infecção viral dos bronquíolos — os pequenos tubos que levam o ar até os alvéolos pulmonares. A inflamação estreita esses canais, dificulta a passagem de ar e provoca o acúmulo de muco. O principal causador é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por 60 a 80% dos casos, mas outros vírus (rinovírus, metapneumovírus, adenovírus) também podem causar o quadro.

A doença tem um pico sazonal claro: no Brasil, ocorre principalmente entre abril e agosto, com variações regionais.

Sintomas: como evolui

A bronquiolite costuma seguir um padrão de evolução em fases:

  • Dias 1–2: início como resfriado comum — coriza, espirros, febre baixa
  • Dias 3–5: progressão para tosse, chiado no peito (sibilância), dificuldade respiratória. É o período de maior gravidade
  • Dias 6–10: melhora progressiva na maioria dos casos
  • A tosse pode persistir por até 3 a 4 semanas

Quando ir ao pronto-socorro

Estes sinais indicam que a criança precisa de avaliação urgente:

  • Frequência respiratória muito elevada (mais de 60 incursões por minuto em bebês)
  • Retrações — afundamento da pele entre as costelas, no pescoço ou abaixo do esterno durante a respiração
  • Batimento de asa do nariz (narina dilatando a cada respiração)
  • Lábios ou ponta dos dedos azulados (cianose)
  • Bebê muito sonolento, difícil de acordar
  • Recusa total do alimento — bebê que não consegue mamar nem engolir
  • Menos de 2 meses de idade com qualquer sinal respiratório

Tratamento em casa

Para a maioria dos casos leves, o tratamento é de suporte:

  • Hidratação adequada: oferecer leite materno ou fórmula em volumes menores e mais frequentes
  • Lavagem nasal com soro fisiológico antes das mamadas — melhora a respiração e a alimentação
  • Elevação da cabeceira do berço (30°) — pode aliviar o desconforto respiratório
  • Ambiente livre de fumaça de cigarro
  • Antitérmico (paracetamol ou ibuprofeno, conforme orientação médica) se houver febre e desconforto

Nebulização com soro, broncodilatadores (salbutamol) e antibióticos não têm eficácia comprovada na bronquiolite leve a moderada — e a SBP orienta explicitamente contra o uso de rotina desses tratamentos.

Fatores de risco para gravidade

Esses grupos merecem atenção especial e limiar menor para buscar atendimento:

  • Menores de 2–3 meses de vida
  • Prematuridade (nascidos antes de 35 semanas)
  • Cardiopatia congênita
  • Doença pulmonar crônica
  • Imunodeficiência

Fontes consultadas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Departamento Científico de Pneumologia Pediátrica: Guia Prático de Atualização — Bronquiolite Viral Aguda (2023).
  • SBPNota de Alerta: Bronquiolite Viral Aguda — Conduta em Urgência e Emergência (2021).
  • AAPClinical Practice Guideline: The Diagnosis, Management, and Prevention of Bronchiolitis (2014, atualizado 2021).