Encontrar a criança andando pela casa enquanto ainda dorme pode assustar. No sonambulismo, ela pode sentar, caminhar, falar ou realizar ações simples sem estar plenamente acordada. Muitas vezes, não se lembra do episódio na manhã seguinte.

O principal cuidado é evitar acidentes. Em vez de discutir, sacudir ou exigir explicações, mantenha a calma e conduza a criança com suavidade de volta à cama. Depois, observe frequência, duração, comportamentos e possíveis sinais associados.

O que é sonambulismo?

O sonambulismo faz parte das parassonias, eventos físicos ou comportamentais que ocorrem durante o sono. O Departamento Científico do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria explica que ele costuma surgir a partir de um despertar incompleto do sono profundo.

A criança pode abrir os olhos, apresentar expressão vaga, responder pouco e caminhar pela casa. A coordenação e a percepção do ambiente não estão normais, mesmo quando o comportamento parece ter propósito. Por isso, ela não deve ser tratada como plenamente desperta.

Sonambulismo não é sinal de mau comportamento, falta de limites ou tentativa de chamar atenção. O episódio é involuntário e tende a diminuir com o amadurecimento, embora o padrão varie entre crianças.

Como agir durante o episódio?

Aproxime-se devagar, use voz baixa e evite movimentos bruscos. Não tente obter respostas detalhadas. A Academia Americana de Pediatria orienta não tentar acordar a criança durante o sonambulismo; conduza-a gentilmente de volta à cama.

Se ela resistir, permaneça por perto e afaste perigos. Não segure com força, não grite e não ridicularize o que ocorreu. O objetivo imediato é segurança, não interromper o episódio a qualquer custo.

Na manhã seguinte, não é necessário contar de forma alarmante. Se a criança souber do episódio, explique com tranquilidade que algumas pessoas realizam ações enquanto o cérebro ainda está dormindo e que os adultos estão cuidando da segurança.

Como deixar a casa mais segura?

Retire objetos do caminho entre cama, porta e banheiro. Mantenha pisos secos, móveis estáveis e fios fora da passagem. Proteja janelas, bloqueie acesso a escadas e guarde objetos cortantes, ferramentas, medicamentos e produtos de limpeza.

Tranque portas externas de forma que a criança não consiga sair, sem criar barreira que impeça adultos de evacuar a casa em uma emergência. Alarmes simples de porta podem avisar cuidadores, mas não devem assustar a criança.

Beliches aumentam risco de queda durante episódios. Avalie mudar temporariamente a criança para uma cama baixa. Oriente familiares, babás e pessoas que dormem na casa sobre como agir, mantendo privacidade e sem expor a criança.

O que pode favorecer episódios?

Privação de sono, rotina irregular, estresse, febre e outros fatores que fragmentam o sono podem aumentar episódios em crianças predispostas. A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que sono insuficiente também afeta atenção, comportamento, humor e desempenho escolar.

Mantenha horário regular para dormir e acordar, crie uma rotina calma e garanta oportunidade adequada de sono. Reduza atividades estimulantes perto da hora de dormir e observe se os episódios aparecem após noites mais curtas ou períodos de maior tensão.

Ronco habitual, pausas respiratórias, respiração difícil e movimentos repetitivos das pernas podem fragmentar o sono. Relate esses sinais ao pediatra, pois tratar um distúrbio associado pode reduzir despertares.

Quando buscar atendimento?

Marque avaliação se os episódios são frequentes, aumentam, causam lesões, levam a tentativas de sair de casa, comprometem o descanso da família ou vêm acompanhados de sonolência diurna, queda escolar, ronco ou pausas respiratórias.

A SBP chama atenção para eventos muito repetitivos e estereotipados, que podem exigir diagnóstico diferencial com epilepsia. Rigidez, abalos, alteração de cor, perda de urina fora do padrão habitual ou dificuldade prolongada para recuperar a consciência pedem avaliação médica.

Procure urgência se houver queda importante, trauma na cabeça, dificuldade para respirar, convulsão, ferimento grave ou se a criança não retorna ao estado habitual após o episódio.

Precisa de exame ou remédio?

Muitas crianças com padrão típico e exame normal não precisam de exames. O pediatra decide conforme história, frequência, risco de acidentes e sinais de outros distúrbios do sono ou neurológicos. Vídeos curtos, feitos com segurança e privacidade, podem ajudar a mostrar o comportamento.

Não ofereça sedativos, antialérgicos ou melatonina por conta própria. O documento da SBP sobre melatonina reforça que hábitos saudáveis e ajustes no ambiente costumam ser a primeira abordagem para problemas de sono na infância, e qualquer indicação deve ser individualizada.

Registre horário aproximado, duração, caminho percorrido, fala, movimentos, respiração e lembrança no dia seguinte. Essas informações ajudam a consulta. Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual.

Referências bibliográficas

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Parassonias — Atualização 2022 (2022). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-21.
  2. American Academy of Pediatrics. Nightmares, Night Terrors & Sleepwalking in Children: How Parents Can Help (Atualizado em 2023). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-21.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Privação de sono na população pediátrica (Atualizado em 2025). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-21.
  4. Sociedade Brasileira de Pediatria. Distúrbios do sono e melatonina: o que o pediatra precisa saber (2025). Acessar fonte oficial. Acesso em 2026-09-21.